Sexo sem proteção X Câncer de Colo de Útero

por Andreia em 24 de julho de 2010

Por inúmeros motivos temos hoje a certeza de que a liberdade sexual exige responsabilidade. Essa verdade já é de conhecimento de todos, mas você sabia que o número de parceiros sexuais de uma mulher pode ser um fator-chave para ajudar médicos a determinar se alterações pré-cancerosas no colo do útero devem ser apenas observadas ou tratadas cirurgicamente? Pois é, o uso de preservativos é fundamental para mulheres que têm muitos parceiros, inclusive para se controlar o risco do câncer de colo de útero.

Segundo estudos recentes, coordenado pelo médico John K. Chan, da Universidade da Califórnia, mulheres que tiveram mais de cinco parceiros estão sob risco maior de que alterações cervicais progridam para o câncer, além disso outro forte determinante é se uma mulher está infectada com o papilomavírus humano (HPV), que é extremamente contagioso, e é adquirido através de relações sexuais.

É claro que se uma mulher tem muitos parceiros sexuais o risco de contrair o HPV é muito maior e, consequentemente, o risco de desenvolver câncer de colo de útero e “pré-câncer”. Mas os resultados do estudo mostraram que ter mais de cinco parceiros foi um fator de risco independente para anomalias pré-cancerosas no colo do útero, mesmo quando uma mulher não carregava o HPV.

O estudo não chegou a conclusões muito claras para essas razões. “Pode haver outras doenças sexualmente transmissíveis, além do HPV, associadas a um risco mais elevado”, declara Chan.

O estudo durou dois anos, e a equipe acompanhou 93 pacientes com alterações conhecidas como neoplasia intra-epitelial cervical de grau 2 ou 3, sendo que esta tem mais chances de se tornar um câncer. Geralmente, os médicos não tratam as anomalias de grau 1, pois sabem que a maioria regride naturalmente, no entanto, os profissionais tratam aquelas de grau 2 ou 3 com uma das diversas técnicas que destroem o tecido cervical afetado. A preocupação é que, sem tratamento, o câncer invasivo se desenvolva.

Tais procedimentos, no entanto, podem interferir na capacidade reprodutiva feminina, enfraquecendo o colo do útero ao ponto de impossibilitar a gravidez de um bebê de 9 meses, declara Chan. Outras pesquisas são necessárias, mas as novas descobertas indicam que algumas pacientes com alterações de grau 2 ou 3 podem não precisar de tratamento imediato, pois a anomalia pode desaparecer naturalmente.

O especialista afirma ainda que as melhores candidatas para essa abordagem são mulheres que tiveram cinco ou menos parceiros sexuais e não estão infectadas pelo HPV. “Se o número de parceiros sexuais era inferior ou igual a cinco, as chances das alterações de grau 2 ou 3 regredirem eram superiores a 60%”, declara o pesquisador.

A pesquisa concluiu ainda que 80% das lesões de colo de útero que não continham HPV regrediram, em comparação a 46% daquelas com HPV. Além disso, mulheres cujas infecções por HPV desapareceram tinham mais chances de a lesão regredir, em comparação àquelas com infecção persistente por HPV. Diversos outros fatores, como idade, raça e maternidade não afetaram a possibilidade de regressão das alterações no colo do útero, segundo os resultados.

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